"Quem pensa por si mesmo é livre!"
Renato Russo

quinta-feira, 5 de março de 2009

O Malabares da Vida



Hoje (05/03/09), estive em Teresina – a capital do Piauí e do calor! – e tive a oportunidade, dada pela providência divina, de viver um momento ímpar.

Era quase meio-dia, o sol a pino castigava meu escalpo já bem “descabelado”, tornando a sensação de calor simplesmente insuportável, tudo isso metido num mais que inadequado terno preto, como manda o figurino de um advogado – a moda nos trópicos deveria ser outra!

Caminhava em direção ao centro da cidade quando, ao passar pelo cruzamento da Av. Miguel Rosa com a Frei serafim, notei, enquanto esperava oportunidade de usar a faixa de pedestres, que havia um adolescente fazendo malabares com bolinhas, aproveitando o sinal estava vermelho, na expectativa de receber alguns trocados pelo espetáculo improvisado.

Tudo normal, esta cena poderia ter se passado em qualquer grande cidade deste brasilzão de gigantescas injustiças sociais. Porém algo diferente prendeu minha atenção, e não foi a perícia do jovem no malabarismo com bolinhas, ao invés, foi justamente o seu fraco desempenho que me despertou o interesse: em poucos movimentos, a princípios precisos, o jovem perdeu a sincronia – talvez ofuscado pelo sol do meio-dia – e derrubou as bolinhas...

Não, nada disso, não me julguem mal! Não pensem que o que chamou minha atenção foi o fracasso do esforçado malabarista. O que prendeu meu espírito foi que, ao deixar as três bolinhas caírem, o jovem resignadamente as apanhou e, mesmo percebendo que haviam motoristas dispostos a recompensá-lo com uns trocados, dirigiu-se ao meio-fio, tirou o nariz de palhaço e, de cócoras, escondeu o rosto com uma flanela branca.

De onde estava não pude perceber se a flanela era usada para enxugar-lhe o suor ou lágrimas... Sei apenas que quando saí daquele transe e comecei a atravessar a avenida, passei bem ao seu lado quando o sinal fechou de novo e ele, animadamente, extravasou para si mesmo: “ – Agora vai dar certo!”.

Enquanto continuava meu caminho, descendo a colina, ainda percebi que, infelizmente, não foi daquela vez, as bolinhas caíram ainda mais cedo que antes. O que fez toda a diferença é que o jovem, ao invés de desistir novamente, apanhou as bolinhas com altivez e reiniciou sua arte...

Grande lição para ele, maior ainda para mim: se atrapalhar e derrubar as bolinhas faz parte, é o risco da vida, deixar de juntá-las e começar de novo é que não pode!

Obrigado, Senhor, por mais este aprendizado!

2 comentários:

  1. Muito bom tio! Obrigado!

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  2. "A arte da vida consiste em fazer da vida uma obra de arte."
    Todas as belas mensagens que tiramos dessa história,como a resignação, a fé, a coragem, a ousadia, a determinação, a honestidade, só existiram graças a sua sensibilidade William! Obrigada! Que Nosso Senhor Jesus Cristo ilumine sempre seu caminho!

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